Imagens
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Apresentação
No caso de Maxwell o desejo de se tornar herói vem dessa vontade de superar a média, de ter uma agência sobre-humana sobre sua existência, e de alguma forma se aproximar dos mitos, dos deuses, dos seres iluminados, poderosos, notórios. [...] Alterando e aperfeiçoando sua imagem, arquitetando uma arqueologia própria, em uma espécie de insurgência contra condicionamentos sociais e poderes que interferem na realidade: igrejas, religiões, corporações, forças militares, mídia, sociedade, política.

Boa Nova 4:01, sobre “O Batismo de Maxwell Alexandre”, Raoni Azevedo, 2018

Artista brasileiro, vive e trabalha no Rio de Janeiro. Sua poética consiste na construção de narrativas e cenas estruturadas a partir de suas experiências cotidianas na cidade e na Rocinha, favela que destaca-se por ser a maior e mais populosa do país, com cerca de 70 mil habitantes, localizada na zona sul na cidade Rio de Janeiro. Maxwell Alexandre explora imagens que vão além de uma mera interpretação do real.

Obras
  • Maxwell Alexandre, Cerimônia de Batismo Coletivo, 2019
    Cerimônia de Batismo Coletivo, 2019
  • Maxwell Alexandre, Sem Título [Untitled], 2019
    Sem Título [Untitled], 2019
  • Maxwell Alexandre, Não foi pedindo licença que chegamos até aqui, 2018
    Não foi pedindo licença que chegamos até aqui, 2018
  • Maxwell Alexandre, Até Deus inveja o homem preto, 2018
    Até Deus inveja o homem preto, 2018
  • Maxwell Alexandre, Merenda, 2018
    Merenda, 2018
  • Maxwell Alexandre, Sem Título [Untitled], 2018
    Sem Título [Untitled], 2018
  • Maxwell Alexandre, A vitória gloriosa, 2018
    A vitória gloriosa, 2018
  • Maxwell Alexandre, Trem, 2018
    Trem, 2018
  • Maxwell Alexandre, Sangue do Cordeiro, 2018
    Sangue do Cordeiro, 2018
  • Maxwell Alexandre, Amiga do peito, inimiga da perna, 2018
    Amiga do peito, inimiga da perna, 2018
  • Maxwell Alexandre, Meus manos, minhas minas, meus irmãos, minhas irmãs e meus cães, 2017-2018
    Meus manos, minhas minas, meus irmãos, minhas irmãs e meus cães, 2017-2018
  • Maxwell Alexandre, A lua quer ser preta, se pinta no eclipse, 2017-2018
    A lua quer ser preta, se pinta no eclipse, 2017-2018
Exposições em destaque

Pardo é Papel | MAC Lyon - Musée d’art contemporain de Lyon | Lyon, França, 2019

Na galeria
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Biografia

Artista brasileiro, vive e trabalha no Rio de Janeiro. Sua poética consiste na construção de narrativas e cenas estruturadas a partir de suas experiências cotidianas na cidade e na Rocinha, favela que destaca-se por ser a maior e mais populosa do país, com cerca de 70 mil habitantes, localizada na zona sul na cidade Rio de Janeiro. Maxwell Alexandre explora imagens que vão além de uma mera interpretação do real. Não apenas sobre tela, mas em papel, sobre lonas de piscina, portas de madeira e esquadrias de alumínio, materiais que reutiliza como alicerce para sua construção estética, o artista pinta cenas e ações diárias da favela, corpos pretos em momentos de confrontos e situações de empoderamento. Na transposição para o campo pictórico, seus trabalhos figuram conflitos da comunidade com a polícia, a dizimação e encarceramento da população negra, a falência do sistema público de educação e outras circunstâncias de sua vida e de seu local de nascimento, a Rocinha. Entre monumentos da cidade, arquiteturas e paisagens, as circunstâncias da obra de Maxwell se ressignificam através de símbolos de poder como super-heróis, videogames, brasões militares, logos e bandeiras da cidade e marcas globais de desejos pueris, como Danone e Toddynho. Imagens potentes que se transformam com a capacidade criativa do artista em se comunicar com o espectador de forma urgente, séria e ao mesmo tempo jocosa, como a série “Pardo é Papel”, constituída de obras em formato monumental. Nesta série, que se configura como um conjunto de pinturas expandidas para o campo político, Maxwell aborda a ancestralidade africana e o empoderamento da sociedade brasileira contemporânea proveniente das favelas. As cores e elementos presentes nos desenhos intensificam o contraste entre os corpos pretos em posições de poder e o papel, que dá nome a uma cor antes usada para velar a negritude. “Pardo”, era o termo encontrado nas certidões de nascimento, em currículos e carteiras de identidade de negros, porém, nos dias de hoje, com o crescimento dos debates, a tomada de consciência sobre o racismo, as reivindicações e as grandes mudanças ocorridas no glossário político dos últimos 10 anos, os negros passaram a projetar suas vozes, a se entender e se orgulhar do que se é, entendendo que o termo foi usado em prol de um embranquecimento da raça. Além de seus estudos de arte e de sua temporada como patinador profissional, entre os 14 e 26 anos, Maxwell, juntou-se a um grupo de artistas e designers e criaram sua própria igreja não-denominacional, A Igreja do Reino da Arte ou A Noiva - que tem como fé e caminho o processo artístico para acessar o divino. Qualquer produção do artista dentro desta religião pode ser entendida como oração, assim como qualquer espaço, onde esse fazer opera, pode ser entendido como templo: ateliês, casas e rua. Artistas são apóstolos, profetas, santos e pastores. Para exercício dessa fé na arte, realizam cultos, rituais e cerimônias que vão de Batismos, Peregrinações, Oferendas até Santa Ceia e o Pecadão - as famosas festas.

 

Graduado em Design na PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), em 2016. Nos anos de 2006 e 2009, participou do Curso de Fotografia para registro de obras do PAC (Programa de Aceleração de Crescimento) nas favelas do Rio de Janeiro. Em 2020, participou da residência artística em Marrocos a convite do Macaal - Museu de Arte Contemporânea Africana, Marrakech que resultou em uma grande instalação na instituição para a exposição coletiva “Have You Seen A Horizon Lately?”. No segundo semestre, está agendado a realização de sua próxima individual na David Zwirner London Gallery, na Inglaterra. Em 2019, itinerou com sua individual “Pardo é Papel”, realizado-a no MAR - Museu de Arte do Rio, e também no MAC Lyon - Musée d’art contemporain de Lyon, França, sua primeira individual internacional. Ainda no mesmo ano, e recebeu o Prêmio São Sebastião de Cultura 2018, da Associação Cultural da Arquidiocese do Rio de Janeiro, na categoria Artes Plásticas. Em 2018 participou da residência artística na Delfina Foundation, Londres, e das exposições coletivas “Recortes da Arte Brasileira” na Art Berlin Fair, Berlim, Crônicas urgentes na galeria Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo, e “Histórias Afro-Atlânticas” no MASP - Museu de Arte de São Paulo. Em 2018 realizou sua primeira exposição individual em galeria, “O Batismo de Maxwell Alexandre” e participou da coletiva “Abre Alas 14”, ambas na A Gentil Carioca, Rio de Janeiro. Em 2017 integrou a exposição coletiva “Carpintaria para todos” na Carpintaria, braço carioca da galeria paulista Fortes D’Aloia & Gabriel e realizou a individual “Laje só existe com gente” na Rocinha Surfe Escola, Complexo Esportivo da Rocinha, Rio de Janeiro, mostra que expôs pela primeira vez que a série “Pardo é Papel”.

 

Sua obra integra o acervo de importantes coleções como Pinacoteca do Estado de São Paulo; Museu de Arte de São Paulo; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro, Musée d’Art Contemporain de Lyon, França e Perez Art Museum Miami, Estados Unidos.