Lost in Translation | A Gentil Carioca

22 Maio - 25 Julho 2020
  • Um convite ao debate sobre um tempo de utopias possíveis, sonhos e necessidades de experimentar ideias perdidas na tradução. Nada nasce só, tais experiências ainda não realizadas reinauguram a relação entre real e uma outra forma de ver a realidade, ou de descobrir modos de a transformar.

     

    Forças que se aliam e se conflitam nas transformações sociais e culturais dos espaços de desejo, limbo e criação.

     

    Silêncio.

     

    Aquele mundo se foi. Não estamos improdutivos, são os resquícios de um padrão ultrapassado, aquele que costumávamos viver alguns meses atrás. Devaneios e delírios, sensações agridoces de se separar dos que bem queremos, sem saber se os voltaremos a ver novamente. Agora lembramos, a conexão humana é algo e tanto, aquela velha troca que a humanidade tinha a oferecer, a beleza de ir aos lugares, encontrar pessoas, trocar impressões.

     

    Hoje estamos em suspensão. O mundo desaba em escombros, imagina se isso é tudo que a vida tem a dar.

     

    O que nos aconteceria se um vírus nos arrebatasse, se prolongasse em disseminação por um ano ou mais?

     

    Vivemos a força da dúvida.

     

    A polarização entre certos e errados opera em um circuito próprio e por mais clichê que possa parecer, a alternância frenética de informações nos gera conflitos mas traz mais percepções das novas realidades… E possibilidades... Aprendemos mais sobre nós mesmos.

     

    Adentramos um túnel desolador. Antigas estalactites ameaçam cair sobre nossas cabeças, ferindo, apagando as memórias que insistem em apontar caminhos inócuos e sem sentidos. No entanto, caminhamos. Afunilamos túnel a dentro. A neblina de Tarkovsky nos lembra os falsos passos, sem direção exata. Estamos em um conflito entre o que realmente procuramos e aquilo que mais sentimos falta.

     

    Ideias são perguntas para o futuro?

     

    Lost In Translation retira o falso véu que encobre a realidade, as (in)visibilidades históricas, sociais, políticas e estéticas do outrora denominado progresso. Se perder nas traduções é um desafio em busca de pontos de equilíbrio.

     

    Ousadia e experimentação.

     

    Ouvimos a reverberação das vozes e sentimos.

     

    Tentamos. Fracassamos. Não nos importamos. Tentamos outra vez. Erramos outra vez. Erramos melhor, como em Becket e o estranho senso do absurdo literal. Agora buscamos, urgentemente em desatino, outras dinâmicas para o cotidiano, não basta saber que a terra é azul como nos disse Iuri Gagarin e apenas viver o retrato ideal.

     

    Literal demais é o exercício de aceitar o amanhã.

     

    É luta o exercício de adiar o fim do mundo, contando mais e mais e mais uma história, como nos ensina Ailton Krenak.

     

    Provocar a ampliação de nossos horizontes existenciais, enriquecer nossas subjetividades e reinventar nossos ares, sopro da direção. Cabe em nossos mundos, largas criatividades em distintos paraquedas coloridos e gostamos de viajar junts.

  • A GENTIL CARIOCA tem o prazer de apresentar a primeira exposição virtual de projetos concebidos por Cabelo, Jarbas Lopes, João Modé, Laura Lima, Maria Laet, Maxwell Alexandre, Rodrigo Torres e Vivian Caccuri.

  • Cabelo Cabelo Cabelo

    Cabelo

    Pode você ouvir as explosões das sementes brotando nas fendas de concreto?
    Sentir o cheiro da erva que se espalha pela cidade?
    A pedra que está no rio está na sua alma.

     

     

    Ladainha do Morto [videoclipe]

     

    O artista traz como projeto o videoclipe do rap Ladainha do Morto, poema de Gerardo Mello Mourão, musicado e gravado por Cabelo para a obra “Luz com Trevas”, que envolve um disco, um show e uma exposição. O roteiro é baseado em seu texto “O DesMoisés”, escrito para o projeto Crab Nebula, realizado com  Lilian Zaremba e Tunga para o evento “100 dias - 100 convidados” na Documenta X, Kassel, Alemanha em 1997.

     

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  • Jarbas Lopes Jarbas Lopes Jarbas Lopes

    Jarbas Lopes

    Uma visão estética de futuro para hoje!
    O corpo fluindo a energia do corpo, o corpo fluindo a energia mecânica da bicicleta, “50% homem – 50% máquina".

     

     

    Cicloviárea Trecho Inaugural [MAM - Rio de Janeiro]

     

    Jarbas Lopes apresenta o Trecho Inaugural [MAM - Rio de Janeiro], uma obra que estabelece, de forma mais próxima, a visualização e a prática da proposta original da CicloviAérea, revelando, para as dimensões da realidade, seus ideais. Trata-se de uma estrutura simultaneamente estética e funcional, projetada para o exercício de contemplação interativa que consiste numa visão estética de futuro para hoje.

     

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  • João Modé João Modé João Modé

    João Modé

    Uma extensão do olhar. Um atravessamento do espaço que conecta e separa coisas e situações.

     

     

    Extensores [A Gentil Carioca]

     

    João Modé apresenta Extensores, onde cinco longas cordas se conectam sobre a clarabóia dA Gentil Carioca, atadas a alguns prédios da região do Saara – mercado a céu aberto no centro histórico do Rio de Janeiro – e outras nos arredores com um nó em suspensão. Como um prolongamento espacial do olhar para a vizinhança, a obra ganha uma potência de transpassamento por tensão, que a confere, ainda, a dimensão de trama construída através de um complexo tempo, vital e coletivo.

     

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  • Laura Lima Laura Lima Laura Lima

    Laura Lima

    O que é um desenho apontado para o Cosmo?

     

     

    Desejo

     

    Laura Lima apresenta Desejo, obra em que a artista oferece ao espaço sideral a observação de seus desenhos. A tarefa é realizada por um astronauta em uma base espacial orbitando a terra. O público, que está na terra, pode testemunhar o feito intermediado pela tecnologia, o trabalho ganha a forma de uma articulação experimental entrecruzada com tempos e espaços expandidos, uma vez que as imagens se transpõem para além do planeta terra e entram em contato com outras galáxias, em uma missão artística interplanetária.

     

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  • Maria Laet Maria Laet Maria Laet

    Maria Laet

    Quando o fôlego de uma pessoa termina, um próximo começa, como vozes que continuam uma na outra, de dentro pra fora da terra.

     

     

    A Medida da voz

     

    Maria Laet apresenta como proposta a realização da instalação sonora imersiva e filme obra A Medida da voz, que trata da medida de espaço e de tempo da voz.

     

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  • Maxwell Alexandre Maxwell Alexandre Maxwell Alexandre

    Maxwell Alexandre

    Um templo que sugere de forma mítica a condição essencial daquilo que constrói e dissolve o lugar de onde venho.

     

     

    Sem Título [Instalação]

     

    Maxwell Alexandre apresenta uma instalação de dois ambientes simétricos e contrastantes – composta por vários espelhos Romeo e uma piscina Capri –, onde o público, descalço, é convidado a adentrar a mitologia que o artista vem construindo a partir de símbolos da cultura popular. Uma obra com tom mítico e de condição essencial em relação a aquilo que constrói e dissolve o lugar de onde ele vem.

     

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  • Rodrigo Torres Rodrigo Torres Rodrigo Torres

    Rodrigo Torres

    Um simulacro de cigarros de maconha, sua contagem se refere à passagem do tempo em si, em estado contemplativo.

     

     

    Colar das Horas

     

    Rodrigo Torres apresenta um objeto escultórico em cerâmica onde a manufatura de tais peças se assemelha ao ato de apertar um cigarro de maconha – forma simulada pelo artista na montagem de seu Colar das Horas – onde a argila é de fato enrolada em papel seda para adquirir textura. Uma espécie de cordão meditativo ativado pela tanto pela passagem do tempo quanto pela queima em altas temperaturas, completando assim a proposta ritualística de Torres em seu fazer manual.

     

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  • Vivian Caccuri Vivian Caccuri Vivian Caccuri

    Vivian Caccuri

    Caminhada, silêncio, deriva, consciência acústica.

     

     

    Caminhada Silenciosa [Veneza]

     

    Vivian Caccuri propõe a realização da Caminhada Silenciosa em Veneza, uma experiência de deriva urbana, que possibilita um convívio de oito horas sob voto de silêncio entre vinte pessoas que não se conhecem. Um intinerário/performance, realizado anteriormente no Rio de Janeiro, que a artista transpõe para Itália, reunindo lugares com intensa atividade sonora, construções que abrigam sons constrastantes, terraços de edifícios, caminhos subterrâneos, vizinhanças isoladas e espaços religiosos. A experimentação abraça as possibilidades de similaridade entre “lugar” e “pessoa”, comportamento acústico e personalidade, escuta e nado.

     

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