Arjan Martins | O gesto do poder, o poder do gesto: Centro Cultural do Patrimônio Paço Imperial | Rio de Janeiro, Brasil
Curadoria: Lucrécia Vinhaes
Expografia: Carla Marins
Em “O gesto do poder, o poder do gesto - um recorte da Coleção Instituto PIPA”, a relação estrutural entre arte, autoridade e memória é o eixo central. A exposição investiga como a arte contemporânea brasileira responde às dinâmicas de poder e como o próprio gesto criativo pode atuar como uma forma de enfrentamento. É nesse contexto de provocação e questionamento que Arjan Martins apresenta a pintura “Rio Setecentista” (2013).
Na obra, o artista — vencedor do Prêmio PIPA 2018 — volta seu olhar para a diáspora africana e as migrações afro-atlânticas do período colonial. Ao integrar uma mostra que reflete sobre como nossas escolhas e atitudes podem transformar estruturas hegemônicas, a pintura de Arjan se insere como um forte gesto político e visual de revisão histórica.
A composição reúne elementos iconográficos recorrentes em sua pesquisa, como caravelas, rosas dos ventos e mapas. Esses símbolos cartográficos e navais são reapropriados para mapear e tensionar a violenta história da navegação e da exploração colonial, subvertendo as narrativas oficiais de dominação.
Na tela, a representação do oceano Atlântico se sobrepõe a formas que remetem a corpos negros dispostos na horizontal, reconhecendo o mar como um vasto cemitério de pessoas escravizadas. O trabalho de Arjan reflete, assim, a potência do gesto artístico para confrontar o poder histórico, inscrevendo na pintura a urgência de recontar e visibilizar as memórias e as fraturas da história afro-atlântica.
