Apresentação

Texto crítico: Osmar Paulino

 

Em “Ballet Noir: O Pós-Virtuosismo”, apresentada no Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro, O Bastardo investiga as relações entre corpo, movimento e representação a partir da figura da bailarina negra. A exposição tensiona os códigos que historicamente definiram os conceitos de arte, técnica e virtuosismo.

 

Em diálogo com a tradição da pintura europeia e das representações clássicas da dança, o artista promove um deslocamento do olhar, voltando-se para corporalidades, experiências e trajetórias que permaneceram à margem dessas narrativas. A partir dessa investigação, O Bastardo propõe a construção de uma contravisualidade — ou uma afrovisualidade —, recusando a virtuosidade como medida de legitimidade.

 

O projeto se afirma, assim, como um manifesto visual sobre as dinâmicas de poder intrínsecas ao campo das artes, reivindicando outras formas de produzir e experimentar a imagem, e estabelecendo novos modos de ver.