Ana Silva: Contemplação do vazio
Conceito
Nesta série, parto do princípio de que o vazio não é sinônimo de ausência, mas de potencial. Um espaço em expansão, tal como o universo, traz consigo a possibilidade da criação, da transformação e da leveza. Tal como a respiração — que se expande e contrai —, o vazio pulsa, ressoa e oferece um refúgio ao movimento da existência.
Entre o silêncio e o fio
Existe na natureza uma suavidade silenciosa, um tempo que não se precipita, um espaço que se estende além da forma visível. Esta exposição é um convite à contemplação da leveza, onde a matéria do mundo é redesenhada com fios, texturas e vazios.
Natureza bordada aproxima o gesto do bordado do sopro da Terra. Cada ponto é uma pausa. Cada linha, um caminho aberto entre o real e o etéreo.
As superfícies, por vezes sutis e delicadas, revelam o espaço como protagonista: o que não está preenchido também se expressa, também vibra.
Nesta travessia, há um diálogo entre o microscópico e o imenso: o contorno de uma folha bordada ecoa uma constelação.
A flor torna-se cosmos.
O tecido torna-se vento.
A trama torna-se tempo.
Aqui, o olhar se acalma.
O corpo desacelera.
E o universo respira entre os fios.