Denilson Baniwa
Tupana pisirú (Salvo por Deus), 2025
aquarela, lápis grafiti e emplumagem sobre tururi (fibra vegetal natural)
[watercolor, graphite pencil and feathering on tururi (natural vegetable fiber)]
[watercolor, graphite pencil and feathering on tururi (natural vegetable fiber)]
47 x 44 cm
[18 1/2 x 17 3/8 in]
[18 1/2 x 17 3/8 in]
Copyright The Artist
“Um dia já fora Pindorama': frase que remete ao tempo em que o território hoje chamado Brasil era conhecido pelos povos indígenas como Pindorama, que significa “Terra das Palmeiras”. Tupana...
“Um dia já fora Pindorama": frase que remete ao tempo em que o território hoje chamado Brasil era conhecido pelos povos indígenas como Pindorama, que significa “Terra das Palmeiras”. Tupana pisirú é composta pela ideia de que, com a chegada dos colonizadores, esse nome foi substituído por “Brasil”, e as populações indígenas foram forçadas a alterar suas vidas espirituais, sendo levadas a acreditar que seus rituais e cosmologias eram práticas anticristãs.
Nos internatos católicos — espaços onde muitas crianças indígenas foram levadas compulsoriamente — frases como Tupana Pisirú, que significa “Só Deus Salva” ou “Salvo por Deus”, eram gravadas nas colunas, reafirmando o projeto de assimilação religiosa.
O homem Tupinambá segurando sua borduna antropofágica, retirado da gravura de Theodor de Bry, é uma representação do olhar europeu sobre os povos originários. Ao redor dele emergem seres mitológicos indígenas e cristãos, plantas venenosas e medicinais, e elementos simbólicos como as constelações de Caranguejo e Jararaca.
A paisagem também evoca a capoeira, entendida em seu sentido originário como “roçado antigo onde nascem plantas rasteiras ou venenosas”, espaço de regeneração da mata e também metáfora de sobrevivência cultural. Entre esses elementos, surge a referência a aka’ga, que significa “cabeça, pensamento”, apontando para a disputa entre modos de pensar: o pensamento indígena ancestral e a tentativa colonial de moldá-lo.
[“One day it was already Pindorama”: a phrase that evokes the time when the territory now called Brazil was known by the indigenous peoples as Pindorama, meaning “Land of Palm Trees.” Tupana pisirú embodies the idea that, with the arrival of colonizers, this name was replaced by “Brazil,” and indigenous populations were forced to alter their spiritual lives, being made to believe that their rituals and cosmologies were anti-Christian practices.
In Catholic boarding schools — spaces where many indigenous children were forcibly taken — phrases like Tupana Pisirú, which means “Only God Saves” or “Saved by God,” were engraved on columns, reaffirming the project of religious assimilation.
The Tupinambá man holding his anthropophagic club, taken from Theodor de Bry’s engraving, represents the European gaze upon the native peoples. Around him emerge indigenous and Christian mythological beings, poisonous and medicinal plants, and symbolic elements such as the constellations Cancer and Jararaca.
The landscape also evokes capoeira, understood in its original sense as “old cleared land where creeping or poisonous plants grow,” a space of forest regeneration and also a metaphor for cultural survival. Among these elements appears the reference to aka’ga, which means “head, thought,” pointing to the clash between ways of thinking: ancestral indigenous thought and the colonial attempt to reshape it.]
Nos internatos católicos — espaços onde muitas crianças indígenas foram levadas compulsoriamente — frases como Tupana Pisirú, que significa “Só Deus Salva” ou “Salvo por Deus”, eram gravadas nas colunas, reafirmando o projeto de assimilação religiosa.
O homem Tupinambá segurando sua borduna antropofágica, retirado da gravura de Theodor de Bry, é uma representação do olhar europeu sobre os povos originários. Ao redor dele emergem seres mitológicos indígenas e cristãos, plantas venenosas e medicinais, e elementos simbólicos como as constelações de Caranguejo e Jararaca.
A paisagem também evoca a capoeira, entendida em seu sentido originário como “roçado antigo onde nascem plantas rasteiras ou venenosas”, espaço de regeneração da mata e também metáfora de sobrevivência cultural. Entre esses elementos, surge a referência a aka’ga, que significa “cabeça, pensamento”, apontando para a disputa entre modos de pensar: o pensamento indígena ancestral e a tentativa colonial de moldá-lo.
[“One day it was already Pindorama”: a phrase that evokes the time when the territory now called Brazil was known by the indigenous peoples as Pindorama, meaning “Land of Palm Trees.” Tupana pisirú embodies the idea that, with the arrival of colonizers, this name was replaced by “Brazil,” and indigenous populations were forced to alter their spiritual lives, being made to believe that their rituals and cosmologies were anti-Christian practices.
In Catholic boarding schools — spaces where many indigenous children were forcibly taken — phrases like Tupana Pisirú, which means “Only God Saves” or “Saved by God,” were engraved on columns, reaffirming the project of religious assimilation.
The Tupinambá man holding his anthropophagic club, taken from Theodor de Bry’s engraving, represents the European gaze upon the native peoples. Around him emerge indigenous and Christian mythological beings, poisonous and medicinal plants, and symbolic elements such as the constellations Cancer and Jararaca.
The landscape also evokes capoeira, understood in its original sense as “old cleared land where creeping or poisonous plants grow,” a space of forest regeneration and also a metaphor for cultural survival. Among these elements appears the reference to aka’ga, which means “head, thought,” pointing to the clash between ways of thinking: ancestral indigenous thought and the colonial attempt to reshape it.]