Denilson Baniwa
Belle Époque, 2025
aquarela, lápis grafiti e emplumagem sobre tururi (fibra vegetal natural)
[watercolor, graphite pencil and feathering on tururi (natural vegetable fiber)]
[watercolor, graphite pencil and feathering on tururi (natural vegetable fiber)]
110 x 220 x 3 cm
[43 1/4 x 86 5/8 x 1 1/8 in]
[43 1/4 x 86 5/8 x 1 1/8 in]
Copyright O Artista
'O trabalho Bela Époque, assim como os demais que venho desenvolvendo, é um poema sobre encontros e sobre as transformações que surgem a partir desses contatos, como dizem os antropólogos....
"O trabalho Bela Époque, assim como os demais que venho desenvolvendo, é um poema sobre encontros e sobre as transformações que surgem a partir desses contatos, como dizem os antropólogos. É um poema caótico, como se fosse o pátio de uma aldeia, onde se misturam deuses antigos, espíritos, o Deus criador da arte Baniwa, um caçador soprando uma zarabatana mágica para afastar espíritos malignos, e facões trazidos pelos colonizadores que mudaram completamente as relações sociais das populações indígenas, ao lado de "maliye", que significa "facão".
A obra inclui uma constelação de onça sobre a cabeça de uma figura e, do outro lado, a mesma constelação aparece misturada à ideia de anti-comunização, em um diálogo linguístico entre inglês e português, numa apropriação ainda muito Oswaldiana. Uma mulher aparece com leite materno e palavras de poder, ligadas à menstruação que confere força, enquanto a borduna tupinambá é utilizada como instrumento de poder.
Insetos mágicos, plantas medicinais e frutíferas trazidas na colonização, e figuras de cães atacando indígenas, surgem ao lado de colonizadores - OMG (ó Meu Deus) x FMG (For My God!). Essa cena foi inspirada em uma gravura de Theodor de Bry, em que holandeses atiçam cães contra indígenas acusados de libertinagem. "Pantti", que significa "casa", foi retirado de um livro de educação básica da população Baniwa, e palavras de poder como “Kuruçá” (Cruz), “olho de Deus que tudo vê” e “Kusiwaa” (arte), reforçando a apropriação simbólica e linguística.
A obra mistura elementos mágicos, culturais e históricos, criando um espaço caótico e vivo, um grande pátio onde plantas, animais, deuses, seres mágicos e objetos coloniais coexistem, se entrelaçam e se transformam. Há também referências à dualidade entre remédio e veneno, bom e perigoso, como expressa nas palavras “buya” (cobra) e “boa”, e à bebida indígena chibé.
O título Bela Époque remete ao período histórico de colonização de Manaus, quando franceses se instalaram e criaram cidades no meio da floresta, coincidindo com a Revolução Industrial na região. Esse contexto histórico e social permeia a obra, que se apresenta como uma grande tapeçaria de encontros, transformações e mistura de mundos, culturas e tempos." - Denilson Baniwa
["The work Bela Époque, like the other pieces I have been developing, is a poem about encounters and the transformations that emerge from these contacts, as anthropologists would say. It is a chaotic poem, as if it were the courtyard of a village, where ancient gods, spirits, the Baniwa god who creates art, a hunter blowing a magical blowpipe to ward off evil spirits, and machetes brought by colonizers that completely changed the social relations of Indigenous populations appear side by side with “maliye”, which means “machete.”
The work features a jaguar constellation above a figure’s head, and on the other side, the same constellation appears blended with the idea of anti-communization, in a linguistic dialogue between English and Portuguese, in a very Oswaldian appropriation. A woman appears with maternal milk and words of power, linked to menstruation that grants strength, while the tupinambá borduna is used as an instrument of power.
Magical insects, medicinal and fruit-bearing plants brought during colonization, and figures of dogs attacking Indigenous people appear alongside colonizers — OMG (ó Meu Deus) vs. FMG (For My God!). This scene was inspired by a print by Theodor de Bry, in which Dutch settlers incite dogs against Indigenous people accused of libertinage. “Pantti”, meaning “house,” was taken from a basic education book from the Baniwa population, alongside words of power such as “Kuruçá” (Cross), “olho de Deus que tudo vê” (all-seeing eye of God), and “Kusiwaa” (art), reinforcing symbolic and linguistic appropriation.
The work mixes magical, cultural, and historical elements, creating a chaotic and living space — a large courtyard where plants, animals, gods, magical beings, and colonial objects coexist, intertwine, and transform. There are also references to the duality between medicine and poison, good and dangerous, as expressed in the words “buya” (snake) and “boa”, and to the Indigenous beverage chibé.
The title Bela Époque refers to the historical period of colonization in Manaus, when the French settled and created cities in the middle of the forest, coinciding with the Industrial Revolution in the region. This historical and social context permeates the work, which presents itself as a vast tapestry of encounters, transformations, and the mixing of worlds, cultures, and times." - Denilson Baniwa]
A obra inclui uma constelação de onça sobre a cabeça de uma figura e, do outro lado, a mesma constelação aparece misturada à ideia de anti-comunização, em um diálogo linguístico entre inglês e português, numa apropriação ainda muito Oswaldiana. Uma mulher aparece com leite materno e palavras de poder, ligadas à menstruação que confere força, enquanto a borduna tupinambá é utilizada como instrumento de poder.
Insetos mágicos, plantas medicinais e frutíferas trazidas na colonização, e figuras de cães atacando indígenas, surgem ao lado de colonizadores - OMG (ó Meu Deus) x FMG (For My God!). Essa cena foi inspirada em uma gravura de Theodor de Bry, em que holandeses atiçam cães contra indígenas acusados de libertinagem. "Pantti", que significa "casa", foi retirado de um livro de educação básica da população Baniwa, e palavras de poder como “Kuruçá” (Cruz), “olho de Deus que tudo vê” e “Kusiwaa” (arte), reforçando a apropriação simbólica e linguística.
A obra mistura elementos mágicos, culturais e históricos, criando um espaço caótico e vivo, um grande pátio onde plantas, animais, deuses, seres mágicos e objetos coloniais coexistem, se entrelaçam e se transformam. Há também referências à dualidade entre remédio e veneno, bom e perigoso, como expressa nas palavras “buya” (cobra) e “boa”, e à bebida indígena chibé.
O título Bela Époque remete ao período histórico de colonização de Manaus, quando franceses se instalaram e criaram cidades no meio da floresta, coincidindo com a Revolução Industrial na região. Esse contexto histórico e social permeia a obra, que se apresenta como uma grande tapeçaria de encontros, transformações e mistura de mundos, culturas e tempos." - Denilson Baniwa
["The work Bela Époque, like the other pieces I have been developing, is a poem about encounters and the transformations that emerge from these contacts, as anthropologists would say. It is a chaotic poem, as if it were the courtyard of a village, where ancient gods, spirits, the Baniwa god who creates art, a hunter blowing a magical blowpipe to ward off evil spirits, and machetes brought by colonizers that completely changed the social relations of Indigenous populations appear side by side with “maliye”, which means “machete.”
The work features a jaguar constellation above a figure’s head, and on the other side, the same constellation appears blended with the idea of anti-communization, in a linguistic dialogue between English and Portuguese, in a very Oswaldian appropriation. A woman appears with maternal milk and words of power, linked to menstruation that grants strength, while the tupinambá borduna is used as an instrument of power.
Magical insects, medicinal and fruit-bearing plants brought during colonization, and figures of dogs attacking Indigenous people appear alongside colonizers — OMG (ó Meu Deus) vs. FMG (For My God!). This scene was inspired by a print by Theodor de Bry, in which Dutch settlers incite dogs against Indigenous people accused of libertinage. “Pantti”, meaning “house,” was taken from a basic education book from the Baniwa population, alongside words of power such as “Kuruçá” (Cross), “olho de Deus que tudo vê” (all-seeing eye of God), and “Kusiwaa” (art), reinforcing symbolic and linguistic appropriation.
The work mixes magical, cultural, and historical elements, creating a chaotic and living space — a large courtyard where plants, animals, gods, magical beings, and colonial objects coexist, intertwine, and transform. There are also references to the duality between medicine and poison, good and dangerous, as expressed in the words “buya” (snake) and “boa”, and to the Indigenous beverage chibé.
The title Bela Époque refers to the historical period of colonization in Manaus, when the French settled and created cities in the middle of the forest, coinciding with the Industrial Revolution in the region. This historical and social context permeates the work, which presents itself as a vast tapestry of encounters, transformations, and the mixing of worlds, cultures, and times." - Denilson Baniwa]